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Semântica blogueira

Já faz um tempo que eu me pergunto que significados um blog comunica. Não se trata de apenas um site cheio de conteúdo, ele é a imagem de alguém: geralmente quem publica é uma pessoa só, às vezes é um grupo. Por mais corporativo que alguns blogs sejam, quase um jornal, ainda têm características de discurso em 1ª pessoa.

O blog do Fabiano Cambota, vocalista e compositor da banda Pedra Letícia, é bem pessoal. Ele fala de música em 1ª pessoa, conta sobre seus shows e projetos, fala muito de si, sempre com o mesmo bom humor que coloca em suas composições. Desta forma, quem lê constroi no pensamento a imagem de um ídolo carismático. Isso, sem dúvida, é muito importante para uma banda. Mais que a música, uma banda vive de quem os idolatra.

Há blogs que não têm conteúdo próprio, mas dicas e recomendações de outros sites, sempre positivas. Temos a impressão que estamos lendo uma revista. Pouco vemos de pessoal nele. Gostamos de ler porque não queremos ir atrás da informação – queremos receber o feed. Aqueles que escrevem assim vivem em busca de uma novidade.

Outros blogueiros gostam de comentar notícias. Seja com críticas ou com bom humor. Temos a impressão que quem escreve está sempre lendo jornais. Estes são superficiais, ao contrário dos que escrevem blogs como jornalistas. Um bom exemplo é o blog do Tiago Dória: sempre relacionando conteúdos diversos, sempre acrescentando informação de forma inteligente, passa a imagem de um bom observador.

Há blogs que gostam de enfatizar seus objetos de estudo: blogs de professores, por exemplo. Quem lê parece ver o profissional, o que ele sabe e como ele pensa, sua postura naquela área de conhecimento. Suas opiniões são importantes na construção de sua imagem: quem concorda gosta; quem discorda, odeia.

Há também blogs que parecem adolescentes: quem escreve está sempre se divertindo e às vezes menciona algum estudo ou trabalho, mas sem ênfase em coisas sérias. Quem lê parece criar um relacionamento com o escritor, sabe tudo de sua vida pessoal. Parece criar um amigo com que vc gosta de conversar, mas jamais trabalharia com ele.

Há também blogs de escritores, quem gosta de escrever literariamente. Daí a parte pessoal nem precisa aparecer. O post é uma crônica, um capítulo. Lê-se de forma diferente. Não é qualquer um que lê, só as pessoas-que-gostam-de-ler.

O Blog de Guerrilha é uma exceção. É um blog corporativo, mas seu conteúdo é interessante porque o objeto de trabalho da empresa é interessante.  Eles escrevem bem e usam a publicidade a favor da publicidade.

O blog é um meio de comunicação com características próprias. Desde que o Google dominou a internet, e com o aumento dos blogs, parece que o Google é um grande jornal com milhões de colunistas.

 

Aprendizagem Significativa – Considerações

Encontrei um artigo muito interessante sobre Aprendizagem Significativa. Luiz Roberto Dias Macedo procura uma maneira de aplicar as ideias de Ausubel no ensino de matemática nos cursos de Administração. Ele realizou uma experiência com excelentes resultados: designou uma tarefa de pesquisa para os alunos entenderem um conceito muito importante na prática da Administração, conceito este que é baseado na matemática. Desta forma ele conseguiu atrair o interesse dos alunos para sua matéria, provando como ela seria útil em suas carreiras.

Esse pragmatismo me parece essencial na motivação de muitas pessoas, principalmente os adultos.

Entender o para que de algo,  o porquê de algo ou como acontece algo que se conhece é uma aprendizagem significativa.

Tudo isso funciona bem com conceitos e só funciona com procedimentos se estes forem apresentados junto com os conceitos, porque de fato, os procedimentos só são guardados na memória com a prática, mas é meio caminho andado se entendermos os princípios dos procedimentos. É falho um sem o outro. Essa prática exige disciplina e trabalho, repetição e tempo.

 

O sujeito é a peça chave na educação

Li esta matéria do jornal La Nación (via Boteco Escola) e achei muito interessante. O pedagogo entrevistado sugere uma escola do futuro.  Logo no início da matéria surge a frase: “A missão da escola já não é ensinar coisas. Isso fazem melhor a TV ou a Internet”.

Não sei se já comentei aqui sobre um menino de 13 anos com quem convivo. Seus pais são analfabetos e brigam muito. Ele é um menino comum, gosta de brincar de pipa, de ouvir música (hip-hop), de jogar no computador, de ver televisão. Ele não tem responsabilidades e falta a escola com frequência. Sua caligrafia é ruim e ele não gosta de ler. Mas ele tem ficado cada dia mais esperto e vez ou outra solta uma pérola que me surpreende, quando vou ver, vejo que ele aprendeu na televisão ou na internet. Fico me perguntando se sua falta de leitura vai impedi-lo de progredir na vida. Ele é bom em negociar coisas, talvez ele consiga um bom emprego como vendedor e tenha dinheiro e bens. Ele tem um bom coração e gosta de justiça, acredito que ele vai encontrar uma boa moça e construir família. Ele não é um menino de ficar na rua. Ele não é distraído e também já foi roubado por colegas, o que fez ele mais cauteloso com as pessoas. Eu o acho inteligente. Quando eu o ajudo com a matemática, vejo que ele consegue entender. Vejo que ele consegue interpretar textos e ainda lembrar deles com o tempo. Mas ele repetiu de ano. Às vezes ele diz que não consegue fazer alguma coisa, às vezes ele só pensa isso e não diz, mas eu sei que ele só não quer se esforçar e acreditar nele mesmo…

Mas os professores dele estão muito ocupados com os meninos mais bagunceiros ou com os mais aplicados.

 

Pra que serve a educação?

Pra que serve a educação?

 

Teoria da Aprendizagem Significativa de Ausubel

Há uns 2 meses descobri a teoria da aprendizagem significativa de Ausubel e a considero excelente. Encontrei um post que descreve tão bem o assunto que não me atrevi a competir com ele. Desde então tenho me perguntado quando vou escrever sobre Ausubel.

Para entender o que tenho a propor quero contar sobre como eu costumo aprender uma informação nova (sim, porque esta é a base da teoria de Ausubel, aprender uma informação nova). Eu sou uma pessoa intuitiva, gosto de fazer pesquisas, tenho boa memória visual e sou muito curiosa. E a curiosidade que sinto a partir de uma observação me motiva à pesquisa e a pesquisa à descoberta. Uma vez aprendida a informação, é inevitável o forte vínculo entre ela e o ponto inicial, de onde surgiu aquela curiosidade e que torna este aprendizado tão significativo.

Gostaria de saber de que forma outras pessoas aprendem uma informação nova. Então comecei a conversar com alguns adultos autoconscientes. E de tudo que ouvi, das técnicas e truques pessoais, concluí que tanto aquilo que a pessoa já sabe quanto qualquer informação nova, antes que ambos sejam associados significativamente, foram adquiridos pela observação (prestar atenção, pelos sentidos – como Montessori dizia).

Acho que os organizadores prévios que Ausubel propõe não são somente uma forma de tornar evidente a associação do novo com o que se sabe e de forma estruturada. Acho que ele busca o pragmatismo. É como se a experiência do dia-a-dia fosse o vínculo principal com o que se aprende.

As crianças ricas tendem a aprender melhor porque têm mais experiências, porque viajam mais, saem com seus pais, visitam lugares com eles, já viram e experimentaram objetos caros e diversos. Elas observam mais coisas. É assim que se começa a aprender.

 

Dever de Casa

Li “Tarefa de Casa: uma violência consentida” de Martha Nogueira. Recomendo. Comecei a ler no Google Livros e acabei comprando. E eu que achava que nunca iria fazer isso…

A autora propõe que o dever de casa seja planejado como parte da aula e é contra a ajuda dos pais às crianças. Ela também comenta o excesso de dever de casa e critica a atitude de alguns professores de tratar o dever de casa à toa.

Hoje meu primo de 13 anos me disse: repetir de ano tem algumas vantagens, veja só: a professora mandou esse dever de casa, mas eu já tinha feito ele no ano passado. Daí eu peguei o caderno do ano passado e to copiando. Beleza! Eis o resultado das  tarefas que se resolvem no copia e cola.

Lembro-me que na faculdade todos os professores mandavam trabalhos ao mesmo tempo, de forma que os alunos faltavam as aulas para ficar na biblioteca fazendo os trabalhos. Era praticamente impossível terminar todos. Eis o resultado de um ensino não coordenado.

O dever de casa me intriga tanto a ponto de eu já ter pensado em “monografá-lo”. Acho que o dever de casa, se bem planejado, pode ensinar o aluno a ter autonomia. É a primeira responsabilidade que a escola delega a ele.

Cada dia eu me convenço mais de que estudar é um dever e não um direito. Martha, você deve estar cansada de saber, mas eu quero declarar que seu trabalho neste livro é excelente.